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Emagrecimento19 de março de 2026 · 7 min de leitura

Platô: por que o peso para de cair

Não é falta de esforço nem falha do medicamento. Um estudo mediu quanto o metabolismo desacelera depois de uma perda grande de peso, e o número explica muita coisa.

Chega um mês em que a balança para. A dose é a mesma, a alimentação parece a mesma, e o número não desce. É nesse momento que muita gente conclui que “o remédio parou de funcionar” e aumenta a dose por conta própria, ou desiste. As duas decisões costumam ser erradas.

O platô é esperado, e tem hora para chegar

Uma análise publicada em 2025 na revista Clinical Obesity mediu exatamente isso nos ensaios da tirzepatida. Definindo platô como uma variação de peso menor que 5% ao longo de 12 semanas, o tempo mediano até chegar lá no SURMOUNT-1 foi de cerca de 24 semanas em quem tinha sobrepeso, 26 semanas na obesidade grau 1 e 36 semanas nos graus 2 e 3. Até a semana 72, praticamente 9 em cada 10 participantes já haviam atingido esse ponto.

Com a semaglutida, o estudo STEP-1 registrou que a perda de peso continuou até atingir o ponto mais baixo na semana 60, em um ensaio de 68 semanas.

Um detalhe importante de interpretação: platô, nesses estudos, é um critério estatístico. Significa desaceleração acentuada, não parada absoluta. A curva continua descendo devagar.

Por que o corpo freia

A resposta tem nome: adaptação metabólica. Quando você perde peso, o gasto energético cai mais do que seria esperado apenas pela perda de massa. Ao mesmo tempo, a leptina despenca e a grelina sobe, o que aumenta a fome e reduz a saciedade.

O tamanho desse efeito foi medido em um estudo que acompanhou os participantes do programa “The Biggest Loser”. Após 30 semanas, além da queda de metabolismo explicada pela perda de massa, havia uma redução adicional de cerca de 275 kcal por dia. Seis anos depois, com boa parte do peso já recuperado, essa adaptação não só persistia como havia aumentado, chegando a cerca de 499 kcal por dia abaixo do previsto.

O déficit calórico que você calculou deixa de ser o déficit real. Não é impressão sua: o corpo mudou as contas no meio do jogo.

É justo registrar que a persistência dessa adaptação é objeto de debate ativo na literatura, com autores questionando o quanto ela explica o reganho. Mas a existência do fenômeno é bem documentada desde os trabalhos de Rosenbaum e Leibel.

O que fazer quando o platô chega

Existe também um parâmetro clínico útil: quando não há pelo menos 5% de perda de peso após cerca de 12 semanas na dose adequada, o tratamento precisa ser reavaliado, e não simplesmente repetido. Isso pode significar escalonar a dose, mudar de estratégia ou rever o diagnóstico. É exatamente para isso que o retorno existe.

Referências

  1. 1.Horn DB et al. Time to weight plateau with tirzepatide treatment in the SURMOUNT-1 and SURMOUNT-4 clinical trials. Clin Obes. 2025;15(3):e12734
  2. 2.Fothergill E et al. Persistent metabolic adaptation 6 years after “The Biggest Loser” competition. Obesity. 2016;24(8):1612-1619
  3. 3.Rosenbaum M et al. Long-term persistence of adaptive thermogenesis in subjects who have maintained a reduced body weight. Am J Clin Nutr. 2008;88(4):906-912
  4. 4.Sarwan G, Daley SF, Rehman A. Management of Weight Loss Plateau. StatPearls, 2024
  5. 5.Wilding JPH et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity (STEP-1). N Engl J Med. 2021;384:989-1002

Aviso importante

Conteúdo de caráter informativo e educativo, que não substitui a consulta médica nem constitui prescrição. Medicamentos citados são de prescrição obrigatória e possuem indicações, contraindicações e riscos que só podem ser avaliados individualmente. Resultados variam de pessoa para pessoa. Responsabilidade técnica: Dr. Kelvin Amanajás (CRM 3272-AP) · Dra. Duane Amanajás (CRM 3494-AP).

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